sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz 2012

Pensei que eu já tinha visto um time jogar bola… Não tinha ainda. Vi, domingo, dia 18 de dezembro de 2011.


Só agora entendi o que nossos pais querem dizer ao se referir aos tão saudosos tempos do Santos de Pelé e seu esquadrão. Eu, nascido três anos depois da conquista de 70 no México, só fui ver um show nos gramados quando testemunhei muito menino a seleção de 1982. Depois disso, como todos os brasileiros, me acostumei a chamar de “futebol-arte” umas gingadas pra cá, umas pedaladas pra lá, uns showzinhos particulares de uns pés iluminados, e que tão rápidos correram para o rico esporte europeu.


Domingo, entretanto, eu vi o Barcelona jogar.


O Barcelona é uma empresa. Seus clientes são exigentes. Não aceitam menos do que um espetáculo. E quem quer conquistar o mercado do entretenimento mundial tem sim que buscar excelência em tudo que faz, planeja, semeia e colhe, pela força do mérito e não da sorte. Os empresários da bola descobriram o que um dia antropólogos vão tentar explicar: A gente é simplesmente doido por uma linda partida de futebol. Não sei o que acontece com a alma humana… O futebol é nossa arena e os jogadores, nossos gladiadores. Nossos times são nossa representação, nossa síntese, nossa forma de demonstrar paixão… E no Brasil isso ultrapassa o limite da compreensão.


Mas agora já posso dizer que eu vi um time jogar de verdade…


Só me resta voltar a “quase-me-divertir” com os torneios nacionais e latino-americanos, onde a mediocridade, a indolência, a sacanagem, a bandidagem e a politicagem IMPERAM sem nenhuma voz a se levantar pra denunciar essa MÁFIA ao redor dos campos. Voltarei também a admirar dentro do campo a nossa famosa cultura do jeitinho, da catimba, do “juiz-sempre-ladrão”, do “recuar-para-jogar-no-contra-ataque” depois de fazer “meio-gol”. Voltarei a toda essa preguiça de atletas cansados que ganham milhões e ainda assim têm a cara de pau de forçar o segundo cartão para não viajar com o time no domingo de balada. Voltarei a essa novelinha-das-seis que a TV e toda a mídia dá um jeito de ficar emocionante para quem sofre muito e se contenta com pouco.


É, mais nunca esquecerei… Domingo de manhã descobri o que é um time de verdade.


Amante do futebol, nunca esquecerei…


A ufanista seleção brasileira seria massacrada pelo Barcelona. Porque a “seleção” é a mais concreta evidência dessa ZONA, dessa ganância atrapalhada que mistura dinheiro privado com coisa pública e prepara a COPA DOS SUPERFATURAMENTOS, a política de caixa 2 que caracteriza nossos períodos eleitorais TODOS!


Já o SANTOS… Ora, NÃO É DO SANTOS QUE ESTOU FALANDO. O Santos foi quem nos permitiu assistir a isso tudo quando venceu o Brasileirão que o levou à Libertadores, e venceu os latinos todos, levando ainda seu Regional no meio do caminho, tendo sido então catapultado a essa final privilegiada. Foi o Santos quem nos levou à Tóquio, à sala de aula, pra tomar umas boas surras na bunda! Na bunda de santistas, mas também de corinthianos, palmeirenses, flamenguistas, gremistas, comentaristas, cartolas e todos os brasileiros…


O Santos? O Santos não tem nada a ver com minha reflexão. O Santos é o que temos de menos pior!


Coloca o Neymar dentro da estrutura que o Messi tem ao redor de si e todos saberão que ninguém é “o melhor jogador do mundo” sozinho. Quem sabe, vestindo a camisa do Messi, nosso jovenzinho moicano faria coisas ainda nunca vistas, impensáveis aos nossos olhos…


Minha questão, desse modo, é outra: Somos nós… Nós somos soberbos demais para futebol de menos.


E nosso atual futebol é só reflexo da cultura da qual a gente idiotamente se orgulha: A cultura do “deixa como está para ver como que fica”; a prática do nivelamento por baixo que domina nossas escolas, universidades, empresas, ONGs, publicações, ações sociais, políticas e quase TUDO o mais nesse país.


Acorda gente!


Alguém viu o Barcelona dar chutão, “chuverinho” pro nada, bola rifada pro meio do campo?


Alguém viu algum “espanhol” comemorar que conseguiu proteger a bola até que ela saísse por escanteio? (e a torcida aqui ainda vibra com isso!!!). Alguém viu o Barcelona recuar todo o time depois do primeiro gol? Viram algum jogador cansado? Não perceberam os caras tentando tirar a bola da mão do Rafael quando o jogo já estava em seu final? (Aliás, se não fosse o Rafael…)


Alguém viu o Messi “provocar” a falta? Viram-no se jogar dentro da área feito ator de cinema sem ninguém ter lhe tocado?


Não perceberam quantas e quantas vezes ele poderia ter caído? Mas será que a torcida do Barcelona se contenta com bola parada perto da área porque falta coisa melhor para fazer em campo?


Enquanto você está pensando que estou nos ridicularizando, veja como somos ridículos mesmo: nos nossos campos, quando um de nossos times está ganhando de “quase 1 x 0”, nossos melhores jogadores sofrem uma “quase-falta” e ficam “quase-mortos” estrebuchando na grama, em dramáticos giros e convulsões. Aí param o jogo, brigam os demais, o juiz autoriza a entrada do carrinho, os paramédicos recolhem o lesado, o carrinho se move lento para fora do campo, os comentaristas até fingem que estão preocupados, e então, o cidadão cruza as linhas laterais, levanta “quase-mancando”, solicita sua reentrada imediata em jogo, já quase pulando, e volta como se nada tivesse acontecido… Meu Deus! A gente acha que isso é um espetáculo? Só se for de teatro! Se toda vez toda a torcida vaiasse o pilantra queria ver se algum desses “heróis” continuaria a fazer a cena de sempre…


Nós temos orgulho da malandragem. O cara só tá errado se for do time adversário!


A gente é assim…


Aí, no encontro com a EXCELÊNCIA no Japão, fica essa postura brasileira toda subserviente, afetada, psicologicamente submissa, reverente demais para quem queria ser campeão. O Santos em campo parecia o adolescente que encontrou com seu ídolo – seus personagens de games de futebol – e, emocionado, subiu no palco para pedir autógrafos e abraços, cortejando gente de seu próprio tamanho.


No domingo, o Santos encontrou com o futuro. Tomara que tenha encontrado o seu próprio.


Tomara também que o Brasil ex-país do futebol aprenda a lição. Eu, sinceramente, não acredito. Tem que mudar todo um povo e sua corja de “políticos, covardes, estupradores e ladrões”… tanto os da esquina como os que roubam grandes somas sob o teto do Congresso Nacional! Todo mundo quer ganhar fácil nesse país-que-não-é-sério… Não é sério!


Bom…


Mas de minha parte – e o motivo que escrevo é só para desafiar você a fazer o mesmo – vou em 2012 procurar semear com muito trabalho e dignidade, aceitando perder no meio do caminho para ganhar no final, um dia, quando chegar a hora, quando eu estiver preparado, sem rezas, mandingas, choro nem vela. Minha obrigação como pai, marido e profissional é investir, treinar, me dedicar, plantar as melhores atitudes, regar os melhores hábitos, buscar o melhor gerenciamento de meus problemas.


No mais, de GRAÇA só tenho o Amor de Deus. O resto é mérito, conquista, peleja, suor e lágrimas…!


Em 2012, vou procurar voltar com amor para casa e com toda garra para o trabalho… Com “sangue-nos-olhos sim (!), mas sem pisar em ninguém; sem desrespeitar quem quer que seja, mas sem ter medo de nada; sem achar que ser o melhor possa ser um golpe de sorte, e ao mesmo tempo, sem comemorar as derrotas alheias como se elas fossem aplainar as trilhas das minhas vitórias.


Em 2012, desafio você a se barcelonizar!


Pra cima deles, meu irmão!


Feliz Ano Novo a todos.


Marcelo Quintela

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amai aos que vos odeiam


Descobri que os inimigos são tão importantes quanto os amigos. Os amigos em sua bondade, poupam-me de críticas constrangedoras, querem ver-me feliz. Os inimigos não têm pena. Dizem o que pensam e o que não pensam, mas acham que fere e assim me ajudam enxergar áreas escuras em minha alma. Pensando assim é que aprendi a amar os que me odeiam. Eles podem ser muito úteis. Ouvir suas críticas adverte-me dos perigos, assim como a dor nos avisa quando algo é perigoso para o corpo.

domingo, 3 de abril de 2011

Nuvens e sombras no meu caminho

Quando cai a fixa, quando caem as máscaras, quando o verdadeiro eu se manifesta. É só aí que consigo libertar-me das amarras do não eu. O não eu que em mim habita é a causa dos conflitos que no dia a dia me colocam na situação de desconforto mental /espiritual. É o não eu em mim que faz as depressões, as ansiedades, as angústias. Mas a boa notícia trazida por Cristo Jesus é a possibilidade de ser liberto dessa entidade, a concreta chance de eliminar em mim este componente mortífero, esta tendência para a auto sabotagem. O evangelho é a convicção de que posso viver além das aparências e que nesse viver não convencional posso alcançar o conhecimento do meu verdadeiro eu. Não convencional pois naturalmente sou induzido a alimentar as sombras que escondem a essência divina e nestas sombras acreditar de forma a nem sequer me sentir incomodado com a possibilidade de uma vida melhor. A esperança pregada por Cristo é a de uma vida abundante, de uma felicidade que não depende das circunstâncias, dado que a causa da infelicidade não é exterior, mas nasce nos lugares sombrios que existem em mim. Assim vou começando a enxergar a luz, embora, por enquanto, veja em parte. Mas o dia virá em que o verei face a face e aí sim, sem sombras, saberei quem realmente sou, em sua luz verei a luz, sem máscaras. Só assim terei a realização plena e absoluta dessa minha transformação de mim em mim mesmo à sua semelhança, iniciada e desenvolvida no meu existir, em meu caminhar. E o interessante disso é que embora a plenitude esteja no futuro, o processo já me modifica enquanto acontece e assim posso ser eu mesmo sem conhecer-me totalmente.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Eu e Ellas


Ontem achei um tesouro. Diante de tantos desgostos que tive com a Gospel Music, encontrei o grupo Ellas e me deleitei com os clássicos da música cristã em dois CD´s dessas meninas. Não as conheço mas compartilho aqui minha primeira impressão e uma de suas interpretações, que pode ser ouvida clicando ao lado.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mudanças


Em que momento mudamos? As mudanças experimentadas ao longo de nossa vida são, geralmente, resultado de processos lentos e graduais, de forma que não se torna fácil definir o exato momento em que deixamos de ser ou que passamos a ser diferentes. Mudar aqui não significa sair de uma residência para outra, ou de um emprego para o outro, ou a mudança do corte de cabelo ou da forma de vestir. Falo de estruturas internas que sutilmente vão se modificando em nós. São posições que defendemos no passado e que já não têm mais significado para o presente. São prazeres considerados fundamentais e que passam a ser considerados como futilidades, aparências consagradas em um tempo e transformadas pelo próprio tempo em algo diametralmente oposto. São posturas e crenças cujo julgamento é radicalmente alterado. Isoladamente algumas destas coisas são possíveis de determinar quando ocorrem, mas o que efetivamente importa é o conjunto que nos caracteriza, formado pela conjunção dos vários elementos citados e outros que não foram aqui mencionados. Olhando-nos no conjunto, especialmente por pessoas que não nos vêem há algum tempo é possível dizer: “como você mudou”.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Metáforas futebolísticas


I Coríntios 10.12 - Aquele que esta de pé, cuide para que não caia!

Duas coisas que não se deve discutir mas que são muito empolgantes e irracionais: futebol e religião. Eu, nascido e criado religioso e amante do futebol embora a religião tenha me privado do prazer de praticá-lo quando jovem, não podia desperdiçar a oportunidade de refletir sobre as duas coisas neste dia em que se concretiza o sonho de uma grande parte dos torcedores baianos.
Depois do grito de guerra da torcida do Bahia, o elevador, símbolo da campanha da torcida baiana este ano de 2010, passa a fazer parte de nossas reflexões com um significado novo. De hoje em diante a imagem do Lacerda estará associada em nossas mentes como uma advertência contra a arrogância e a soberba.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Jeito insosso


Cada dia acordo com algum pensamento fixo. Essas coisas que a gente ouve ou vê escrita em algum lugar, e que se fixa em nossa mente durante a noite. Será só coisa minha ou a gente normal também passa por isso? O fato é que hoje a letra da canção “Carne e osso” de Zélia Duncan está me perseguindo. Escreverei então sobre o tema só pra ver se ele me deixa em paz. Sai de mim!

Eis os versos:

Perfeição demais me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso, pra não ser carne e osso

E não é que nisso a Zélia tem razão? Nesse particular ela se parece comigo. Sempre desconfiei de quem é muito certinho, muito quetinho. O pior é que sempre tive a comprovação de que por trás dessas “Santidades” existem monstros adormecidos, ou apenas escondidos e prontos para darem o bote. Já vi muitos casos de gente muito perfeita, que vivia de “um jeito insosso” e que, de repente, se manifestou violentamente, demonstrando exatamente o contrário daquilo que aparentava ser. Podia contar algumas histórias aqui mas prefiro deixar prá lá. Pronto, falei!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Interrogações


O que é prioridade para mim? Há diferentes formas de responder a esta pergunta. Coisas importantíssimas deixam de ser feitas e nem por isso o mundo acaba. Contudo temos a mania de achar que se algo não for executado na hora em que julgamos ser a hora H, está tudo errado. Que horas são? Ou em bom baianês: que hora é essa? Temos um senso de urgência talvez nunca visto pela humanidade. Deve ser característica da era da velocidade. Não precisamos estar com pressa realmente, para querermos ultrapassar o carro da frente. É bastante o fato de podermos andar mais rápido que ele. O que é poder? Faz algum tempo, estando na praia vi uma senhora “pechinchando” o queijo coalho que um rapaz oferecia. Qual a importância de alguns centavos para a distinta senhora? Pagar centenas de unidades monetárias por um jantar em um restaurante e reclamar de centavos com um pobre vendedor de praia faz diferença no patrimônio ou é apenas pela possibilidade de se impor que se “pechincha”? Por falar em praia por que não podemos aproveitar estes dias de sol lá? E já que vieram as duas notas , sol e lá, vamos prá música. Música de qualidade, música inspirada por Deus, pois toda boa dádiva vem do alto e não quero e nem preciso perguntar nada sobre isso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tudo passa igual a uma semana


O fim do ano vem chegando. Descobri que hoje é primeiro de dezembro. Hora de pensar no que fiz, no que deixei de fazer e no que farei no próximo ano. Aliás o momento de começar planejar é o mês de setembro. Três meses é um bom tempo para se elaborar um mini planejamento estratégico anual. Mas como quase todo mundo, deixo para a última hora, o último mês. Isso para as coisas que conseguimos planejar, pois em muitas não temos nem idéia de qual caminho seguiremos.O interessante é que sempre juramos não repetir os erros que cometemos no ano anterior, mas volta e meia nos deparamos com os mesmos comportamentos já antes criticados.
Em meu caso pessoal 2010 foi muito diferente de tudo que já vivi. Claro que sei que todos os anos são diferentes. Sim. Mas 2010 trouxe mudanças drásticas à minha vida, à minha visão do mundo, às minhas relações. Como já falei sobre os motivos antes não quero retomar o assunto aqui.
Entre os aprendizados que incorporei cito: a impossibilidade de resolvermos a maioria dos problemas que nos cercam versus a necessidade de convivermos pacificamente com os insolúveis. Alguns são insolúveis momentaneamente, outros são de caráter mais duradouro, contudo é preciso saber conviver com todos eles sem perder o sono. Afinal todos temos problemas de diversas ordens e nada é tão ruim que não possa ser piorado. Jesus ensinou a não andarmos ansiosos por coisa alguma: basta a cada dia seu mal. Nesta linha outra lição clara para mim é a percepção de que as coisas mudam, não importando o quanto pareçam eternas, tudo muda. Os bons e os maus envelhecem e morrem do mesmo jeito.

domingo, 5 de setembro de 2010

Fé sem fezes


Ter a consciência pacificada e o coração descansado, eis o objetivo da fé, da verdadeira fé. Conversei com um amigo no salão onde corto o cabelo e este me pediu algo pra ler a respeito de algumas doutrinas, então fui pesquisar em alguns sites a fim de encontrar material que satisfizesse a necessidade do irmão e então me vejo outra vez na encruzilhada dos pensamentos a respeito da religião. Tanta coisa se escreve e tanto se diz de coisas que não se conhece. Quanta tentativa de autopsiar “Aquele que nunca morre” e portanto não pode ser autopsiado.
Sofro ao pensar no quanto seria diferente se apenas pudéssemos viver a fé singela que nos põe em harmonia com Deus e com o próximo. Como é diferente o viver em fé do ser “aleijado” pelos sistemas montados por homens cuja inteligência se põe a serviço de interesses os mais diversos possíveis e que nada tem de essência do Evangelho.
Escrevo estas coisas certo de que não sou ninguém do ponto de vista religioso/eclesiástico e que não pretendo representar qualquer grupo ou qualquer linha doutrinária. Resumindo eu diria estar completamente curado das manias messiânicas que geralmente povoam as mentes formadas sob a égide dos dogmas, das regras, das doutrinas. Convém esclarecer que ninguém é totalmente isento em seus pontos de vista. Logo tenho sim diversas influências a definir as tendências que dominam o meu pensar e o meu crer, mas peço a Deus que me ajude a ser cada dia mas livre para testemunhar a sua graça agindo em mim, sua misericórdia me guardando e seu amor me atraindo. Só isso, nada mais que isso. Fácil, límpido e simples.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Não é pra menos


Em mim alguma coisa mudou esse ano. Não é pra menos, diriam alguns amantes desta expressão, significando que realmente tenho motivos para estar modificado em meu ser. Um pouco mais frio, um pouco mais sério, um pouco mais triste, um pouco mais racional, mais conformado, mais petrificado. Pronto, achei um termo, petrificado. Ainda bem que é só um pouco, mas isto é perceptível para aqueles que observam minha alma mais de perto.
Compreendi a existência de uma outra forma a partir das experiências dolorosas vividas. Não voltarei aqui a falar sobre elas, já são conhecidas, mas vale a pena refletir sobre as conseqüências em mim. Sempre fui considerado super sincero, isso se acentuou agora? O imediatismo, que as vezes me caracteriza, aumentou?. Abrirei mão mas facilmente de coisas que são importantes para os outros mas que em meu julgamento não são boas para minha alma? Brigarei mais por aquilo que julgo precioso?
Sinceramente, ainda não tenho todas as respostas. Tenho as reflexões e algumas decisões a tomar. Como me sinto? Muito mais só, há um certo desencanto, uma tristeza controlada atualmente. Uma certa desilusão, reflexão sobre os absurdos da vida e sobre a irracionalidade de minhas próprias concepções. O que é, é e pronto.

sábado, 3 de abril de 2010

Há um tempo para cada coisa


O momento crítico que estou enfrentando, com mãe hospitalizada após sofrer um AVC, mexe de tal forma comigo que nem sei se é hora de falar ou de calar. Queria escrever mas não o tenho feito por dois motivos: o primeiro é a falta da concentração necessária para escrever qualquer coisa que seja edificante tanto pra mim quanto para os que porventura leiam este blog. O segundo motivo é o cuidado que devo ter ao falar de um momento que não é só meu mas de toda a família que está extremamente tensa com a situação e por isso mesmo tem que ser poupada de qualquer coisa, principalmente comentários públicos maldosos ou mesmo bem intencionados, mas que possam trazer transtorno ao invés de conforto.
Contudo estes dias têm me trazido algumas oportunidades de aprendizado e reflexão, que nem toda a minha vida pregressa me trouxe. Vivi, vi e ouvi coisas que certamente marcarão minha alma por longos anos. Vozes, gritos e choros. Silêncios, murmúrios e risos. Tudo esses dias tem outro significado, tudo é elevado a uma potência diferente e talvez eu possa contar algumas das histórias no futuro próximo.
Por enquanto calar-me-ei na expectativa, esperança de que “o choro” que já dura mais que uma noite final mente dará lugar a alegria que vem ao amanhecer e na fé de que mesmo que passe pelo vale da sombra da morte não há o que temer. Tenho testemunhado bondade e misericórdia me seguindo e posso então compartilhar este momento com fé e paciência.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Cada um sabe onde o sapato aperta


Julgar ao outro e emitir juízo sobre atitude alheias quando tudo, ou pelo menos menos o essencial, vai bem é muito fácil. Difícil é se colocar no lugar de quem está submetido às mais diversas situações vexatórias, compungido pelas circunstâncias adversas tendo que lançar mão de recursos nem sempre convencionais. É nessas horas que sentimos o quanto somos frágeis. Quando todo o peso cai sobre os ombros de um simples ser é que passamos a pensar de forma mais flexível e deixamos a jactância que caracteriza os humanos em geral. Não quero afirmar a inexistência de absolutos, princípios e valores irrefutáveis e invioláveis. Entretanto, reafirmo a necessidade de compreensão. Pensar no significado de "chorar com os que choram" e "alegrar-se com os que se alegram". O mesmo mundo que faz o "povo inteiro cantar", não tem graça alguma para alguns, cujo mundo foi visitado por adversidades e desgostos por vezes invisíveis mesmo aos olhos mais aguçados.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Word x Excel


O ano de 2009 foi um ano difícil. Filho da crise financeira que se abateu sobre o mundo em 2008, 2009 nasceu com todo mundo fazendo cálculos e mais cálculos. Daí o apelido que lhe dei: ano Excel. Confesso que tentei e em parte até consegui continuar e até voltar a ler e escrever coisas que não tivessem relação com a economia e suas previsões apocalípticas. Entretanto a pressão trazida pelas medidas realizadas para conter a crise aos poucos foram me desgastando e me clarearam mais alguns fios de cabelo. Espero um 2010 Word, sim, da palavra. Em que possamos pensar, escrever, falar, filosofar. Possamos viver sem sobressaltos, possamos sonhar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dores do crescimento


Os métodos divinos de construção são muito diferentes daquilo que podemos chamar de um processo normal ou de moral ou de politicamente corretos. Se imaginarmos a origem do que chamamos de nosso universo acontecendo com explosões e continuando a ser assim todos os dias, teremos a perfeita dimensão dos processos criativos/destrutivos de Deus.
Tudo na natureza se cria a partir de destruições/transformações. Para nós é inconcebível a violência de um terremoto de uma tsunami ou a idéia da morte em si. Todos os dias estrelas explodem, células morrem, a natureza se recria. O desenvolvimento muscular é acompanhado de dores. As crianças sentem dores do crescimento.
As crises são o modo de criar novas oportunidades. Disseram antes de mim mas eu diria também: morre o boi, alegria do urubu. E assim vamos vivendo a vida de encontros e despedidas. O trem da chegada é o mesmo trem da partida. E por aí vai.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O que é uma vida bem sucedida?


Estou lendo o livro do francês Luc Ferry. Após ter assistido sua palestra no ano passado aqui em Salvador resolvi conhecer um pouco mais do pensamento deste filósofo atual. O autor parte de um pressuposto pós moderno, considerando que nem a religião nem os grandes ideais da humanidade puderam levar o homem moderno ao lugar que se poderia definir como o destino de uma vida boa. A vida boa deu lugar à vida bem sucedida e segue algumas idéias de Spinoza e Nietzche .

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A espiritualidade que Deus reprova




Olhando a história bíblica de Saul, todo mundo já sabe que histórias bíblicas me fascinam desde que eu era apenas uma criancinha, descobri alguns traços de uma falsa espiritualidade, muito parecida com a que vejo nos nossos dias. Falei sobre isto na Igreja em Periperi e tentarei resumir aqui a mensagem.
A primeira observação que convém fazer é que não tenho qualquer compromisso político-religioso com o povo judeu, nem nada contra os palestinos. Vejo as histórias destes povos na Bíblia como formas de transmissão de lições preciosas para os homens de todas as épocas e que precisavam dos atores para a representação dos arquétipos (não sei se esta é a palavra que melhor traduz o que quero dizer aqui, mas não achei outra melhor). Vejo os princípios contidos nas narrativas e o brinquedo de Deus, ocultando verdades para que possamos procurá-las na história.
Assim Saul é um personagem importante. Primeiro rei de Israel, altamente admirado pelo povo e que obtém pequenos êxitos militares no início do seu reinado. Na realidade os triunfos inicialmente alcançados são vistos como provocações pelo povo que aqui aparece como o outro lado da história, os filisteus (de Philistia ou Palestina).
Provocados os filisteus acampam-se cercando os israelitas enquanto Saul começa a ver o seu povo esconder-se, fugir ou até mesmo passar para o lado do inimigo. Que faz Saul? Ele aguarda durante sete dias a chegada do profeta e sacerdote Samuel. Ao final dos sete dias percebendo a demora do profeta o próprio Saul oferece sacrifícios a Deus e então se sente preparado para a guerra. Assim que ele termina Samuel chega e questiona o ato de Saul para em seguida declarar-lhe a reprovação de Deus. Saul não deixará sucessor no trono.
Por que Saul merece uma reprovação tão séria? Seu culto, a oferta de holocaustos, baseou-se em premissas reprováveis. Sobre isto considerei três aspectos. O primeiro: um culto baseado no medo. A religião do medo leva as pessoas a ofertarem, orarem, fazerem penitências e toda uma gama de rituais, mas não obtem qualquer favor perante o Deus verdadeiro. Segundo um culto baseado no misticismo. O número sete, muitas vezes considerado o número da perfeição, foi o número de dias que Saul aguardou a chegada de Samuel. A crença de Saul era a crença de que aquele culto tinha que acontecer no sétimo dia senão ele estaria perdido. Deus não se prende à mística de nenhum número e reprova qualquer tentativa de manipulação de poder através de números. Em terceiro lugar o culto de Saul era mera demonstração de um ato formal. Ele deixa de fazer a sua obrigação que era a do líder militar e acredita que oferecendo holocaustos a vitória viria. Deus não está nem aí para nossa formalidade espiritual. É muito mais espiritual cuidarmos cada um daquilo que nos diz respeito enquanto homens, enquanto cidadãos.

sábado, 20 de junho de 2009

Perdão



A compreensão plena do perdão só é possível de ser obtida por aquele que sofreu uma grande ofensa. É muito fácil desejar ser perdoado. Difícil é perdoar. Claro que perdoar é proporcional ao tamanho da mágoa sofrida. Jesus ilustrou isto ao contar a história de alguns devedores perdoados por um credor. Cada um deles tinha uma dívida diferente, mas aquele credor perdoou a todos. Em seguida Jesus pergunta qual daqueles era mais amado pelo credor e recebeu a resposta de que mais amava ao que mais perdoou.
A outra proporção observada nesta equação diz respeito ao tamanho da ofensa em comparação ao tamanho da expectativa. Quanto mais confiamos e amamos alguém, maior o tamanho da decepção que sofremos quando traídos e maior a mágoa. Consequentemente quanto mais amamos maior é o perdão. Quando somos indiferentes é tudo tanto faz. Quando muito estimamos mais duro é o golpe que recebemos.
Pois então, aí está o belo e o mais difícil de compreender e aceitar no Evangelho pois sendo Deus todo justo, bom, santo e outros atributos de perfeição que a ele se possa atribuir, simplesmente perdoa a humanidade pecadora. É demais para a cabeça do indivíduo que se ofende e encoleriza quando sua expectativa não é correspondida. Quando não consigo perdoar qualquer coisa feita contra mim, fecho-me para a possibilidade de aceitar o perdão de Deus, pois sei que não mereço. É por isso que, na oração do Pai Nosso, Jesus inclui : “perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
Bem aventurados os que aprenderam a perdoar pois eles serão perdoados.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Infância tardia


Há uma fase da vida mais bela que a infância? Depende. É a resposta mais correta para uma série de perguntas e bem aplicada a esta. A infância é bela sim e mais que isso, é importante que seja bem vivida.

Brincar, perguntar, errar, chorar, correr ao invés de andar. São tantas coisas que se pode fazer enquanto criança e que ficam absolutamente fora de propósito quando da pessoa se exige uma atitude adulta. Assim é não apenas bom que se faça tudo que se aplica a esta fase quando nela se está, como é imperativo que assim seja, pois do contrário as manifestações belas e apropriados da infância ganham o feio nome de infantilidades. Infantilidade é a denominação dada às atitudes de um adulto que não são próprias de sua idade.

Adultos são seres que tendo já vivido a sua infância e adolescência perderam o direito a certos comportamentos, em especial aqueles considerados improdutivos e/ou inadequados. A convenção social estabelece e todos conhecem aquilo que se pode admitir e se espera do adulto. Ai daquele ser que não segue as normas estabelecidas.